9.28.2012

ESPÉCIES EXÓTICAS INVASORAS



Na presente postagem, assumimos inteira responsabilidade da nossa visão ambientalista na intenção de desenvolver discussão sem paixões, dando atenção para um assunto, a nosso ver muito contraditório, no que toca às espécies vegetais que atualmente pretende-se denominar “exóticas invasoras”. Muitos ambientalistas têm olhado este fenômeno como um grande problema, sem que se tenha feito estudos mais aprofundados, temos antes de mais nada levarmos em consideração nossa capacidade de com inteligência sabermos e podermos contornar os problemas que possam vir ou não a aparecer.

Se voltarmos ao passado, antes da deriva continental onde existia a chamada “pangea” ou continente único, teremos que admitir que nesta situação todo o processo evolutivo da fauna e da flora, como hoje a conhecemos, já estava de certa forma delineado, pelo menos para alguns grupos faunístico e florísticos. Exceto se para alguns, a teoria da “pangea” seja falsa.

Após a formação de vários continentes por conta deriva continental, temos que levar em consideração que muitas espécies já estáveis encontram-se presentes na Amazônia, na Floresta Atlântica Brasileira e na África, embora não se encontre na depressão sertaneja, fenômento geológico ocorrido depois da deriva, que propiciou a extinção de algumas destas espécies devido às novas modificações edafo climáticas que contribuíram para isto, são encontrados destarte indício fosseis de espécies que ocorria na Amazônia e na Floresta Atlântica.

O gênero Podocarpus, por exemplo, é ainda encontrado nos brejos de altitude, aqui no próprio estado de Pernambuco em Brejo dos Cavalos em Caruaru. Além disso, depósitos fósseis deste mesmo gênero são encontrados em regiões atualmente áridas, tanto no estado de Pernambuco, como do Ceará. A paleobotâmica da região semi-árida nordestina é pobremente estudada.

Espécies “atuais”, como por exemplo Symphonia globulifera L. f. ocorre na Amárica tropical desde o México até Brasil e Peru na África tropical desde Guiné Bissau até a Tanzania, oeste de Zambia e Angola, e possivelmente também em Madagascar. Pelo visto esta espécie não é endêmica do Brasil. Contudo, está presente na Amazônia brasileira, na Floresta Atlântica e na África.

Por uma questão lógica sabemos que a deriva continental não ocorreu da noite para o dia o que pode-se aferir que a dispersão ocorreu de modo natural à medida que os continentes se afastavam. Devido ao fenômeno do isolamento é possível, senão provável que espécies da América do Sul e da África não se cruzariam hoje, conforme o conceito de muitos autores estudiosos da genética de populações vegetais ou animais que se tornaram isoladas.

Vários gêneros botânicos encontram-se presentes no continente Sulamericano e Africano, entre as palmeiras (Arecaceae) temos Elaeis,  Raphis, com espécies diferentes num e noutro continente e ainda. O gênero Nypa, com uma única espécie Nypa fruticans é atualmente encontrado como invasora da vegetação de mangue desde o Sry Lanka no Delta do Ganges até a Austrália e nas ilhas Solomão e Ryukyu, invadindo áreas de Manguesal, por isto, chamada “palmeira-mangue”. No entanto Elias Dolianitti encontrou um fruto fóssil deste gênero na Formação Maria Farinha do Paleoceno do Nordeste, no Estado de Pernambuco, cuja espécie foi denominada Nypa pernambucensis e é muito provável que sobrevivesse em ambiente de manguesal.

Pelo que foi dito acima não são poucos gêneros e espécies de distribuição continental distinta. Desta forma o conceito de espécies exóticas e invasoras deve ser olhado com maior amplitude, principalmente se for levado em consideração que o animal humano está também integrado ao meio ambiente e por conseqüência tem atuado de forma tal que certas espécies que lhes são benéficas, principalmente do ponto de vista cultural (religioso, alimentar, etc) têm sido introduzidas com a sua expansão na conquista de outros ambientes.

Quando da colonização brasileira por Portugueses e outros povos seria natural que fossem transferidas ou introduzidas diversas espécies para o seu novo habitat. Vários exemplos podem ser citados, tais como o “dedê” Elaeis guineensis Jacquin, usada pelos negros no continente africano, não só em suas crenças religiosas, mas como elemento de culinária ligados a elas, e que, hoje é base de muitos pratos da culinária nordestina, principalmente na Bahia. A mangueira, a azeitoneira, jaqueira, frutapãozeiros e tantas outras plantas comestíveis e ornamentais tiveram o mesmo destino.

O dendê, a exemplo de muitas outras espécies encontrou, aqui clima favorável, além de dispersores naturais, que contribuíram para sua distribuição por quase todo o território nacional, sendo considerada hoje uma espécies subespontânea. Praticamente, não a nível tão rápido aconteceu com a mangueira, azeitoneira, etc.

Seriam estas espécies invasoras? Que alguns grupos radicais queiram eliminá-las? Hoje, estas espécies, estão presentes na maioria dos fragmentos da Floresta Costeira Nordestina e contribuem substancialmente para a economia do sistema alimentando roedores, pássaros e outras categorias animais, incluindo o homem.

Afinal, estamos ou não diante de uma teia que se interrelaciona nas palavras de Frijof Capra? Tentem eliminar o dendê de nossas matas numa sanha “xenofóbica” de conservadores “puristas”, que muito breve após a supressão verão brotar novas plantas a partir de sementes que são enterradas por muitos roedores, que com a intenção de posteriormente degustá-las esqueceram onde as tinham enterrado.

Considerando os ecossistemas autóctones do Brasil esquecem que as extensas áreas de babaçu (Orbignya phalerata) nada mais são que uma vegetação secundária da chamada Zona dos Cocais do Fitogeógrafo Sampaio, assim denominada em sua Fitogeografia do Brasil, hoje denominada Floresta Dicótilo Palmácea, onde o babaçu nada mais é que um invasor.
Roedores diversos, principalmente as cotias enterravam os frutos do babaçu, que, com a derrubada das dicotiledôneas para diversos fins, os frutos enterrados germinavam numa invasão descontrolada criando os atuais cocais.

No entanto, esta “invasão” propiciou uma grande fonte renovável para alimentação, produção de óleo para as populações humanas e tantos outros benefícios, que infelizmente nossa entidade governantes não souberam aproveitar e continuam sem fazê-lo.

Somente o aproveitamento dos endocarpos e epicarpo, após a extração das sementes, poderia através da industrialização de “pelets” sustentar toda necessidade calórica do polo gesseiro nordestino evitando a supressão das nossas caatingas.esseiro nordestino evitando a supresss e epicarpo, apos frutos do babaçu, que com a derrubada das dicotiled sistema alimentando

Quem pode duvidar da importância da introdução da “algaroba” (Prosops sp.) no semi-árido nordestino em termos de resistência as prolongadas estiagens e produção de frutos ricos em proteínas para alimentação do gado vacum. Vamos destruir os algarobais?

Precisamos sim de uma visão de maior amplitude, isenta de fundamentalismos, para que busquemos formas de desenvolvimento sustentável levando em consideração a importância de cada espécie, seja ela exótica ou nativa. Nossa necessidade hoje é integrar cada vez mais o homem em seu ambiente, onde o mesmo possa viver através do manejo responsável em harmonia com o lugar em que vive e tirando do mesmo suas necessidades de sobrevivência, incluído como co-participante da natureza, enfim, da teia da vida. 

Aproveitamos o “slogan” da nossa Presidente de que “País rico é pais sem miséria” mas nunca chegaremos a tal sonho se não lutarmos pela educação e pela integração do homem em harmonia com o meio em que vive e não demonizando-o como um paria destruidor. Acredito num desenvolvimento sustentável com ou sem plantas exóticas e/ou invasoras


Tadeu Costa