Na presente postagem, assumimos
inteira responsabilidade da nossa visão ambientalista na intenção de
desenvolver discussão sem paixões, dando atenção para um assunto, a nosso ver
muito contraditório, no que toca às espécies vegetais que atualmente
pretende-se denominar “exóticas invasoras”. Muitos ambientalistas têm olhado
este fenômeno como um grande problema, sem que se tenha feito estudos mais
aprofundados, temos antes de mais nada levarmos em consideração nossa capacidade de com inteligência
sabermos e podermos contornar os problemas que possam vir ou não a aparecer.
Se voltarmos ao passado, antes da
deriva continental onde existia a chamada “pangea” ou continente único, teremos
que admitir que nesta situação todo o processo evolutivo da fauna e da flora,
como hoje a conhecemos, já estava de certa forma delineado, pelo menos para
alguns grupos faunístico e florísticos. Exceto se para alguns, a teoria da
“pangea” seja falsa.
Após a formação de vários
continentes por conta deriva continental, temos que levar em consideração que
muitas espécies já estáveis encontram-se presentes na Amazônia, na Floresta
Atlântica Brasileira e na África, embora não se encontre na depressão
sertaneja, fenômento geológico ocorrido depois da deriva, que propiciou a
extinção de algumas destas espécies devido às novas modificações edafo
climáticas que contribuíram para isto, são encontrados destarte indício fosseis
de espécies que ocorria na Amazônia e na Floresta Atlântica.
O gênero Podocarpus, por exemplo, é ainda encontrado nos brejos de altitude,
aqui no próprio estado de Pernambuco em Brejo dos Cavalos em Caruaru. Além
disso, depósitos fósseis deste mesmo gênero são encontrados em regiões atualmente
áridas, tanto no estado de Pernambuco, como do Ceará. A paleobotâmica da região
semi-árida nordestina é pobremente estudada.
Espécies “atuais”, como por
exemplo Symphonia globulifera L. f.
ocorre na Amárica tropical desde o México até Brasil e Peru na África tropical
desde Guiné Bissau até a Tanzania, oeste de Zambia e Angola, e possivelmente
também em Madagascar. Pelo visto esta espécie não é endêmica do Brasil.
Contudo, está presente na Amazônia brasileira, na Floresta Atlântica e na
África.
Por uma questão lógica sabemos
que a deriva continental não ocorreu da noite para o dia o que pode-se aferir
que a dispersão ocorreu de modo natural à medida que os continentes se
afastavam. Devido ao fenômeno do isolamento é possível, senão provável que
espécies da América do Sul e da África não se cruzariam hoje, conforme o
conceito de muitos autores estudiosos da genética de populações vegetais ou
animais que se tornaram isoladas.
Vários gêneros botânicos
encontram-se presentes no continente Sulamericano e Africano, entre as
palmeiras (Arecaceae) temos Elaeis, Raphis, com espécies diferentes num e
noutro continente e ainda. O gênero Nypa,
com uma única espécie Nypa fruticans
é atualmente encontrado como invasora da vegetação de mangue desde o Sry Lanka no Delta do Ganges até a Austrália e nas
ilhas Solomão e Ryukyu, invadindo áreas de Manguesal, por isto, chamada
“palmeira-mangue”. No entanto Elias Dolianitti encontrou um fruto fóssil deste
gênero na Formação Maria Farinha do Paleoceno do Nordeste, no Estado de
Pernambuco, cuja espécie foi denominada Nypa pernambucensis e é muito provável
que sobrevivesse em ambiente de manguesal.
Pelo que foi dito acima não são
poucos gêneros e espécies de distribuição continental distinta. Desta forma o
conceito de espécies exóticas e invasoras deve ser olhado com maior amplitude,
principalmente se for levado em consideração que o animal humano está também
integrado ao meio ambiente e por conseqüência tem atuado de forma tal que
certas espécies que lhes são benéficas, principalmente do ponto de vista
cultural (religioso, alimentar, etc) têm sido introduzidas com a sua expansão
na conquista de outros ambientes.
Quando da colonização brasileira
por Portugueses e outros povos seria natural que fossem transferidas ou
introduzidas diversas espécies para o seu novo habitat. Vários exemplos podem
ser citados, tais como o “dedê” Elaeis
guineensis Jacquin, usada pelos negros no continente africano, não só em
suas crenças religiosas, mas como elemento de culinária ligados a elas, e que,
hoje é base de muitos pratos da culinária nordestina, principalmente na Bahia.
A mangueira, a azeitoneira, jaqueira, frutapãozeiros e tantas outras plantas
comestíveis e ornamentais tiveram o mesmo destino.
O dendê, a exemplo de muitas
outras espécies encontrou, aqui clima favorável, além de dispersores naturais,
que contribuíram para sua distribuição por quase todo o território nacional,
sendo considerada hoje uma espécies subespontânea. Praticamente, não a nível
tão rápido aconteceu com a mangueira, azeitoneira, etc.
Seriam estas espécies invasoras?
Que alguns grupos radicais queiram eliminá-las? Hoje, estas espécies, estão
presentes na maioria dos fragmentos da Floresta Costeira Nordestina e
contribuem substancialmente para a economia do sistema alimentando roedores,
pássaros e outras categorias animais, incluindo o homem.
Afinal, estamos ou não diante de
uma teia que se interrelaciona nas palavras de Frijof Capra? Tentem eliminar o
dendê de nossas matas numa sanha “xenofóbica” de conservadores “puristas”, que
muito breve após a supressão verão brotar novas plantas a partir de sementes que
são enterradas por muitos roedores, que com a intenção de posteriormente degustá-las
esqueceram onde as tinham enterrado.
Considerando os ecossistemas
autóctones do Brasil esquecem que as extensas áreas de babaçu (Orbignya phalerata) nada mais são que uma
vegetação secundária da chamada Zona dos Cocais do Fitogeógrafo Sampaio, assim
denominada em sua Fitogeografia do Brasil, hoje denominada Floresta Dicótilo
Palmácea, onde o babaçu nada mais é que um invasor.
Roedores diversos, principalmente
as cotias enterravam os frutos do babaçu, que, com a derrubada das
dicotiledôneas para diversos fins, os frutos enterrados germinavam numa invasão
descontrolada criando os atuais cocais.
No entanto, esta “invasão”
propiciou uma grande fonte renovável para alimentação, produção de óleo para as
populações humanas e tantos outros benefícios, que infelizmente nossa entidade
governantes não souberam aproveitar e continuam sem fazê-lo.
Somente o aproveitamento dos
endocarpos e epicarpo, após a extração das sementes, poderia através da
industrialização de “pelets” sustentar toda necessidade calórica do polo
gesseiro nordestino evitando a supressão das nossas caatingas.
Quem pode duvidar da importância
da introdução da “algaroba” (Prosops sp.)
no semi-árido nordestino em termos de resistência as prolongadas estiagens e
produção de frutos ricos em proteínas para alimentação do gado vacum. Vamos
destruir os algarobais?
Precisamos sim de uma visão de
maior amplitude, isenta de fundamentalismos, para que busquemos formas de
desenvolvimento sustentável levando em consideração a importância de cada
espécie, seja ela exótica ou nativa. Nossa necessidade hoje é integrar cada vez
mais o homem em seu ambiente, onde o mesmo possa viver através do manejo
responsável em harmonia com o lugar em que vive e tirando do mesmo suas
necessidades de sobrevivência, incluído como co-participante da natureza,
enfim, da teia da vida.
Aproveitamos o “slogan” da nossa
Presidente de que “País rico é pais sem miséria” mas nunca chegaremos a tal
sonho se não lutarmos pela educação e pela integração do homem em harmonia com
o meio em que vive e não demonizando-o como um paria destruidor. Acredito num
desenvolvimento sustentável com ou sem plantas exóticas e/ou invasoras
Tadeu Costa
Tadeu Costa
Flora e fauna exótica, considerando as dispersões e migrações espontâneas e induzidas, ao longo do processo de evolução e histórico, pode-se considerar aquela extraterrestre. Invasora, oportunista, secundária, colonizadora, e outros, são conceitos nos quais engavetamos essa evolução, tentando sistematizar didaticamente nossas interferências (humanas) no meio. Portanto, como bem ressaltou, precisamos ampliar nosso espectro de análise e amplitude de considerações.
ResponderExcluirJosé Paulo Andahur
Não tenha dúvida José Paulo
ResponderExcluirNão podemos nos ligar a conceitos estreitos e purista da preservação pela preservação, nem tão pouco podemos nos ater a processo irreversível. Com cada vez mais facilidades de introdução de espécies exóticas pode ocorre ou mão um processo de invasão.
Se estes ocorrem está em nossa mão agir inteligentemente com relação a esta ou aquela planta. Qual sua importância para a economia das populações humanas, que estão de uma forma ou de outra a depender dela. É preciso pesar bem até onde vai o mal representado pela invasão e até quando vai a importância econômica dessas "ivasoras" se são prejudiciais qual o seu controle mais adequado. Chegaremos fatalmente a um tempo em que não poderemos até encontrar qual a origem desta ou daquela espécie. Nem podemos simplesmente dizer que não se pode usar esta ou aquela planta sob controle porque ela é exótica. Não podemos mais perder tempo com o paradigma de ha muito impregnado de que desenvolvimento e sutentabilidas não podem convier juntos com ajustes e ações inteligentes sob pena de não usarmos esta ou aquela planta exremamente econômica porque a mesma é exotica. O que não podemos é permitir que este ou aquele governo ou grupo economico nos imponha um código florestal extremamente benéfico para o aumento das suas fronteiras agricolas. E não vejo nenhum movimento sério a este respeito. Todos baixam a cabeça ao que os governantes resolvem. Depois trataremos de decidir a importancia desta ou daquela exótica visando o bem das populações nais carentes, que precisam ser fixadas à terra.
Grato
Tadeu